LUSITÂNIA ROMANA · ALENTEJO

2.000 ANOS DE VINHO EM BARRO

Muito antes do aço inoxidável. Muito antes das barricas de carvalho. O vinho já era feito em barro.

Na Lusitânia romana, as uvas eram vindimadas, esmagadas e fermentadas em grandes recipientes de barro conhecidos como dolia. Os vestígios arqueológicos encontrados no Alentejo revelam uma sofisticada cultura de produção de vinho, cujas marcas ainda hoje se encontram nesta região.

PRODUÇÃO DE VINHO NA ÉPOCA ROMANA · RECONSTITUIÇÃO ILUSTRATIVA

DA UVA À DOLIA

VINDIMA · PISA DAS UVAS · TRANSFERÊNCIA PARA O DOLIUM · FERMENTAÇÃO EM BARRO · ARMAZENAMENTO
Esta ilustração reconstitui diferentes etapas da produção de vinho na época romana, com base em vestígios arqueológicos e fontes históricas. As práticas variavam entre as diferentes regiões do mundo romano e foram evoluindo ao longo do tempo.

SÃO CUCUFATE · VILA DE FRADES · ALENTEJO

DA LUSITÂNIA ROMANA AO ALENTEJO

A poucos quilómetros de Vila de Frades, a villa romana de São Cucufate foi fundada no século I d.C., tornando-se o centro de uma vasta propriedade agrícola.

Aqui, a terra era cultivada e os seus produtos transformados e armazenados — testemunhos de uma sofisticada cultura agrícola que marcou esta região do Alentejo há quase 2.000 anos.

Photo: Carole Raddato · CC BY-SA 2.0 · via Wikimedia Commons · cropped

OS ROMANOS PARTIRAM. O BARRO PERMANECEU.

VILA DE FRADES · ALENTEJO

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

A tradição não sobreviveu nos museus, mas nas adegas do Alentejo.

Transmitida de mão em mão. De vindima em vindima. De geração em geração, as famílias continuaram a fazer vinho em talhas de barro — preservando saberes, rituais e uma forma de vida que permanece viva até aos nossos dias.

PORTUGUESE INTANGIBLE CULTURAL HERITAGE

PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL PORTUGUÊS

Em 2023, a produção tradicional de Vinho de Talha foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial de Portugal. Mais do que uma técnica de vinificação, é uma cultura viva — moldada pelo barro, pelas vindimas, pelos saberes partilhados, pela gastronomia local e pelo convívio nas adegas.

Uma tradição secular que prossegue agora o seu caminho rumo ao reconhecimento pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

MONTE DAS LOUZEIRAS

INTEGRADO NA ROTA DO VINHO DE TALHA

O Monte das Louzeiras orgulha-se de integrar a Rota do Vinho de Talha, contribuindo para celebrar e preservar uma das tradições vinícolas mais singulares do Alentejo.

Aqui, o Vinho de Talha não é apenas uma herança do passado. É uma tradição viva — que continuamos a produzir, partilhar e proporcionar a quem nos visita.

DO BARRO AO VINHO

PRESERVAR A TRADIÇÃO DA TALHA

A PESGAGEM DA TALHA

Antes de uma talha poder continuar a sua longa vida na produção de vinho, é necessário renovar, de tempos a tempos, o revestimento do seu interior.

No Monte das Louzeiras, este processo tradicional realiza-se aproximadamente a cada quinze anos.

Durante a pesgagem, a talha é cuidadosamente aquecida ao fogo, permitindo amolecer o revestimento antigo antes de renovar o seu interior com pez louro, uma preparação tradicional à base de resina de pinheiro.

Esta camada protetora reduz a porosidade natural do barro e prepara a talha para muitos mais anos de produção de vinho. É um trabalho exigente, físico e cada vez mais raro — um saber transmitido de geração em geração no Alentejo.

DESCUBRA A PREPARAÇÃO DAS TALHAS

DA VINHA À ADEGA

CHEGA A VINDIMA

As uvas, acabadas de chegar da vinha, são recebidas na adega e reunidas antes de se iniciar a primeira etapa da sua transformação.

É aqui que começa a transformação da vindima. As uvas passam pelo esmagador e desengaçador, que separa os bagos dos engaços e liberta o primeiro mosto.

No Monte das Louzeiras, é neste momento que a vindima começa a transformar-se em vinho.

PISA A PÉ E ANÁLISE DO MOSTO

A PISA A PÉ E A ANÁLISE DO MOSTO

Antes de entrar na talha, as uvas são tradicionalmente pisadas a pé, permitindo que o sumo, as películas e a polpa se misturem, dando início à primeira transformação da uva em mosto.

O mosto é depois cuidadosamente analisado. Os seus aromas, a cor, a textura e a evolução revelam os primeiros sinais do carácter da nova colheita.

É neste momento que a experiência, a observação e a intuição começam a orientar o caminho do vinho.

NO BARRO, O TEMPO FAZ O SEU TRABALHO

A FERMENTAÇÃO NA TALHA

Depois de analisado, o mosto é transferido para as talhas previamente preparadas, onde se inicia a fermentação natural.

No interior da talha de barro, o vinho permanece em contacto com as películas e o bagaço das uvas. Ao longo das semanas seguintes, evolui lentamente, adquirindo profundidade, textura e uma expressão única.

QUARENTA DIAS NA TALHA

ATÉ AO DIA DE SÃO MARTINHO

Durante cerca de quarenta dias, o vinho permanece na talha em contacto com as películas e o bagaço das uvas, continuando a sua lenta transformação no barro.

Tradicionalmente, a primeira prova realiza-se no Dia de São Martinho, a 11 de novembro — um momento profundamente enraizado na cultura do Vinho de Talha no Alentejo.

Só depois desta celebração é retirado o bagaço da talha, assinalando uma nova etapa na vida do vinho.

No Monte das Louzeiras, o dia 11 de novembro é o momento em que o novo Vinho de Talha é revelado, provado e partilhado.

DEPOIS DO DIA DE SÃO MARTINHO

FILTRAGEM, REGRESSO À TALHA E REPOUSO

Após a primeira prova, o vinho é retirado da talha, separado do bagaço e cuidadosamente submetido a uma primeira filtragem.

Em seguida, regressa à talha, onde continua a repousar. Durante este período, os sedimentos restantes depositam-se lentamente no fundo, permitindo que o vinho se torne mais límpido e estável.

Quando chega o momento de retirar o vinho, este sai da talha através da tradicional torneira de madeira.

No Monte das Louzeiras, mesmo depois de concluída a fermentação, a talha continua a moldar o vinho através do tempo, da gravidade e da paciência.

DEPOIS DA CELEBRAÇÃO

O VINHO CONTINUA A SUA VIAGEM

Depois do Dia de São Martinho, o vinho continua a repousar e a clarificar naturalmente dentro da talha.

Após a primeira filtragem, regressa à ânfora, onde o tempo e a gravidade permitem que os sedimentos restantes se depositem naturalmente. Quando finalmente é retirado através da tradicional torneira de madeira, situada na base da talha, o vinho passa por uma última filtragem antes de ser servido.

No Monte das Louzeiras, a viagem da vinha até à talha termina onde começa outra — no copo.

VENHA DESCOBRIR O VINHO DE TALHA